Banco Mundial e Diversifica Mais auscultam administradores municipais do Moxico sobre necessidades infraestruturais

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Uma delegação composta pelo Banco Mundial e o Projecto Diversifica Mais auscultou, na passada semana do corrente mês, administradores municipais do Moxico para identificar prioridades infraestruturais e económicas que possam desbloquear 100 milhões USD para novas infra-estruturas de última milha.

A sessão decorreu na cidade do Luena,  tendo ficado patente que a falta de infra-estruturas rodoviárias e o estado degradado das estradas constituem os principais constrangimentos para o escoamento da produção agrícola e para a exploração do potencial turístico da região.

De acordo com a líder da missão do Banco Mundial, Sunita Varada, a iniciativa está alinhada com as Componentes 1 e 2 do Projecto Diversifica Mais, que preveem investimentos em infra-estruturas produtivas e a facilitação do comércio. Varada sublinhou que a prioridade imediata é a identificação de projectos de infra-estruturas de última milha, cuja implementação poderá desbloquear o acesso a mercados regionais e fronteiriços.

Municípios enfrentam dificuldades de escoamento e isolamento logístico

Durante a sessão, os administradores municipais destacaram o isolamento logístico das comunas recentemente elevadas à categoria de município, o que agrava a falta de infra-estruturas essenciais.

O Administrador do Léua, António Muquissi, afirmou que o município enfrenta sérias dificuldades nas vias de comunicação, situação que impede o escoamento da produção agrícola local. Segundo o responsável, a localidade ainda está por explorar em termos de potencial económico, mas a falta de estradas transitáveis continua a ser um obstáculo.

A Administradora de Camanongue, Irene Maquexa, partilhou da mesma opinião, acrescentando que as longas distâncias entre os municípios e a capital provincial, Luena, agravam as condições logísticas. “Com a condição actual das vias, não é possível facilitar o escoamento dos produtos agrícolas, nem atrair turistas para as zonas de interesse turístico”, frisou Maquexa.

No Lutuai, a Administradora Anastácia Chicuambi reforçou que as potencialidades agrícolas da região estão comprometidas pela ausência de infra-estruturas rodoviárias adequadas, o que dificulta o transporte dos produtos até aos mercados locais e nacionais.

Fronteira do Ninda com a Zâmbia: um ponto crítico por explorar

No município do Ninda, que faz fronteira com a Zâmbia ao longo de 73 km, o Administrador adjunto, Gabriel Vieira, destacou a situação da transumância de rebanhos bovinos que atravessam a fronteira em busca de pastagem. Gabriel Vieira salientou que o município carece de infra-estruturas básicas, o que impede a exploração do potencial agropecuário e turístico.

A fronteira do Ninda é ainda caracterizada pela ausência de estradas asfaltadas, situação que limita as oportunidades de escoamento agrícola e circulação de pessoas e bens, numa região com grande potencial para o comércio transfronteiriço.

Cangamba: isolamento acentuado pela falta de vias de acesso

A Administradora adjunta de Cangamba, Anabela Alves, classificou a situação do município como preocupante, sublinhando que a distância de 347 km até Luena é percorrida em estradas em mau estado de conservação. Segundo a responsável, Cangamba possui vastas potencialidades agrícolas e turísticas, com a produção de mandioca, massango e milho, mas a falta de infra-estruturas viárias compromete o escoamento da produção.

“A pergunta que se levanta é a de sempre: como escoar esta produção?”, questionou Anabela Alves.

Recomendações para a selecção de projectos prioritários

No encerramento da sessão de auscultação, a Assistente de Parcerias Público-Privadas do Diversifica Mais, Vacha Cardoso, recomendou que as necessidades de infra-estruturas identificadas sejam organizadas num documento técnico, com descrições detalhadas dos projectos prioritários e o seu impacto socioeconómico nas comunidades.

Vacha Cardoso explicou que o documento servirá de base para a selecção dos projectos candidatos à assistência do Diversifica Mais, devendo-se priorizar projectos de impacto comprovado, em conformidade com os critérios definidos no quadro das Componentes 1 e 2 do Projecto.

O Diversifica Mais ambiciona mobilizar até 100 milhões de dólares norte-americanos para o financiamento de infra-estruturas de última milha, além de estimular o investimento privado através de parcerias público-privadas (PPP), particularmente em plataformas logísticas e polos industriais ao longo do Corredor do Lobito.