Cadeia de frio da Caála arranca com um investimento de 2,5 milhões de dólares e com metas à vista

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Dos 2,5 milhões de dólares investidos na Solução Intermédia de Frio da Caála, 1,5 milhões vêm do Banco Mundial, através do Projecto Diversifica Mais, e 1 milhão do Estado angolano, via ARCCLA. Em troca, o projecto assume metas que podem ser verificadas: 5 mil toneladas movimentadas no primeiro ano e cerca de 50 empregos desde já.

Os valores foram anunciados pelo Secretário de Estado para os Transportes Terrestres, Jorge Bengui, na inauguração da unidade, nesta segunda-feira, 5 de Outubro, no Huambo. O governante não escondeu as dificuldades do percurso. “Não foi um percurso simples. Tivemos de encontrar soluções de financiamento, ajustar modelos de parceria e criar condições para assegurar a operação”, reconheceu.

Sinergias que geraram resultados

Parceiro

Contribuição

Papel

Banco Mundial, via Projecto Diversifica Mais

1,5 milhões de dólares

Financiamento da solução intermédia (aquisição dos contentores) e actualização dos estudos e projectos

Estado angolano, via ARCCLA

1 milhão de dólares

Promotor: energia, água, acessos e telecomunicações

Reino dos Países Baixos

Apoio técnico

Estudos iniciais, levantamento agrícola, Cluster do Abacate

Bacatral (Grupo António Mosquito)

Operação

Gestão da cadeia de frio e comercialização grossista

 

As metas a serem perseguidas

Indicador

Meta anunciada

Produtos movimentados no 1.º ano

cerca de 5 mil toneladas

Produtos movimentados a partir do 2.º ano

7 mil a 10 mil toneladas por ano

Empregos na solução intermédia

cerca de 50

Empregos na plataforma definitiva

cerca de 400 directos e mil indirectos

Redução das perdas alimentares

até 40% (projecção)

Rendimento dos pequenos agricultores

mais 30% a 100% (projecção)

Parceiros registados pelo operador

173 (ponto de partida, Outubro de 2026)

As duas projecções de impacto baseiam-se em casos de referência de câmaras frigoríficas em zonas rurais. A Caála vai agora testá-las na prática, como projecto-piloto da rede nacional de plataformas logísticas.

“A partir de agora, temos de demonstrar que esta infra-estrutura funciona, que os agricultores a utilizam e que a sua actividade se traduz em menos perdas, melhores condições de comercialização e novas oportunidades económicas”, afirmou Jorge Bengui.

Cinco anos até à inauguração

O projecto nasceu de uma visita aos Países Baixos. “Visitámos um país de dimensões territoriais pequenas que conseguiu, através da organização das suas infra-estruturas (…), transformar-se numa das principais plataformas comerciais do continente europeu”, recordou o Secretário de Estado. Seguiu-se um levantamento do potencial agrícola da região: 83 explorações visitadas, das quais 23 identificadas com condições para uma primeira fase.

  • 2021: pedido de assistência aos Países Baixos para um centro agro-logístico, estudos promovidos pela ARCCLA e memorando de entendimento entre os dois governos.
  • 2022: assinatura do acordo de desenvolvimento do projecto.
  • 2023: lançamento da primeira pedra e aprovação do financiamento do Banco Mundial, através do Diversifica Mais.
  • 2024: assinatura do memorando do Cluster do Abacate, para a exportação do abacate das terras altas do Huambo.
  • 2025: actualização dos estudos e projectos no âmbito do Diversifica Mais e construção da cadeia de frio.
  • 2026: conclusão dos estudos de viabilidade e projectos executivos, lançamento do concurso do ramal ferroviário, adjudicação da gestão à Bacatral (operação desde 1 de Julho) e inauguração a 5 de Outubro.

 

Os próximos passos têm data

As três empreitadas seguintes (ramal ferroviário, acessos e subestação) têm calendário público, com o visto do Tribunal de Contas inscrito em cada uma, entre 21 de Dezembro de 2026 e 8 de Fevereiro de 2027. O processo ambiental inclui uma consulta pública de 12 a 16 de Outubro e o pagamento de compensações às pessoas afectadas entre 15 de Novembro e 15 de Dezembro.