A Solução Intermédia de Frio da Plataforma Logística da Caála, na província do Huambo, foi inaugurada nesta segunda-feira, 5 de Outubro. Orçada em 2,5 milhões de dólares, dos quais 1,5 milhões financiados pelo Banco Mundial através do Projecto Diversifica Mais, a infra-estrutura deverá movimentar cerca de 5 mil toneladas de produtos agrícolas no primeiro ano de funcionamento.
O restante milhão de dólares corresponde a investimento do Estado angolano, por via da Agência Reguladora de Certificação de Carga e Logística de Angola (ARCCLA). A partir do segundo ano de operação, a meta sobe para entre 7 mil e 10 mil toneladas anuais. A unidade gera cerca de 50 postos de trabalho; a plataforma definitiva prevê cerca de 400 empregos directos e mil indirectos.
Os números foram avançados pelo Secretário de Estado para os Transportes Terrestres, Jorge Bengui, que presidiu ao acto em representação do Ministro dos Transportes, Ricardo Viegas d’Abreu. A cerimónia contou com o Governador da Província do Huambo, Pereira Alfredo, o Secretário de Estado para a Administração Pública, Pedro Filipe, e representantes diplomáticos dos Estados Unidos da América e da República Democrática do Congo.
Uma amostra do que está por vir
A solução é composta por 15 contentores frigoríficos (cinco de 40 pés e dez de 20 pés), alimentados por energia solar, com autonomia superior a 30 horas e temperaturas entre 4 e -20 graus Celsius. É modular por desenho: quando a plataforma definitiva entrar em funcionamento, os contentores poderão ser deslocados para centros satélites, mais perto das zonas de produção.
“Esta infra-estrutura que vamos inaugurar é simplesmente uma pequena amostra do que vai acontecer na plataforma logística”, explicou a Administradora Executiva da ARCCLA, Paula Bartolomeu. A unidade funciona como projecto-piloto do Programa de Dinamização da Rede Nacional de Plataformas Logísticas e vai testar o modelo de negócio da futura plataforma.
Contra as perdas pós-colheita
Durante a cerimónia, um grupo teatral levou ao palco a história de uma camponesa que, cansada de ver a colheita estragar-se, pensava trocar a lavra por uma moto de kupapata. “Este é o sentimento de muita gente do nosso país, por falta de esperança”, comentou Paula Bartolomeu. “O povo produz, o camponês produz, mas metade perde-se por falta de infra-estruturas de frio.”
As projecções apresentadas na cerimónia, baseadas em casos de referência de câmaras frigoríficas em zonas rurais, apontam para uma redução das perdas alimentares até 40% e um aumento do rendimento dos pequenos agricultores entre 30% e 100%.
“Quando um agricultor perde a sua colheita por falta de condições de conservação, perde o resultado de meses de trabalho árduo, os recursos investidos e as expectativas criadas”, sublinhou Jorge Bengui.
Um operador com raízes na terra
A gestão está a cargo da Bacatral, do Grupo António Mosquito (GAM), que iniciou a operação a 1 de Julho e já registou 173 parceiros, entre os quais 32 produtores e duas cooperativas e associações. Além de gerir a infra-estrutura, a empresa actua como grossista, ligando quem produz a quem compra. “A cadeia de frio transforma tempo em valor”, resumiu Ariana Ortete, em representação da empresa que está a operar a Cadeia de Frio.
Ramal ferroviário até ao fim do ano
A cadeia de frio é o primeiro resultado visível de um projecto maior. A consignação do ramal e terminal ferroviário, que ligará a plataforma ao Caminho-de-Ferro de Benguela, está marcada para 22 de Dezembro. Seguem-se as infra-estruturas e a via de acesso, a 25 de Janeiro de 2027, e a subestação eléctrica, a 10 de Fevereiro de 2027. As três obras têm conclusão prevista entre Fevereiro e Abril de 2028.
Leia mais: Ramal ferroviário da Caála com consignação marcada para 22 de Dezembro
Para o Governador Pereira Alfredo, o investimento confirma o Huambo como “uma verdadeira plataforma giratória” do país. “O Corredor do Lobito não é apenas a linha férrea, mas um conjunto de várias infra-estruturas que convergem”, acrescentou.
Jorge Bengui encerrou com uma advertência: “A inauguração de hoje não representa apenas uma conquista, representa também uma responsabilidade. A partir de agora, temos de demonstrar que esta infra-estrutura funciona.”